segunda-feira, 20 de abril de 2009

O liberalismo como excesso de ID, e o totalitarismo como excesso de SUPEREGO.

O liberalismo como excesso de ID, e o totalitarismo como excesso de SUPEREGO.

Vamos investigar neste pequeno ensaio como que conceitos retirados da psicanálise freudiana podem ser utilizados para melhor entendermos a estrutura de certos sistemas políticos e econômicos que são adotados mundo afora.

ID, EGO E SUPEREGO formam o conjunto de estruturas que correspondem à mente humana. São as partes da mesma. O ID é a parte primitiva da mente, é o responsável pelos desejos e impulsos emocionais. Pode ser resumido pela frase “Eu quero”, e é inconsciente. O EGO é o próprio “eu”. É a parte consciente da mente. É ele que conversa, escreve, pensa e dirige automóveis. Mesmo sendo consciente, é controlado pelo ID e pelo SUPEREGO que são inconscientes. É resumido pela frase “Eu sou”. O SUPEREGO é a parte da mente responsável pelo controle moral do indivíduo. É ele que controla, ou tenta controlar, os impulsos primitivos do ID dando ao EGO a falsa impressão de que ele, o EGO, é o responsável consciente e racional pelas ações do individuo. Pode ser resumido pela frase “Eu não devo”, e é, tal como o ID, inconsciente.

Dois exemplos de comportamento desviante de um individuo (neurose) ocorrem, justamente, quando temos um excesso de ID (fazendo com que o sujeito seja uma eterna criança que tudo quer e não tolera ser contrariada), ou um excesso de SUPEREGO (onde o sujeito é completamente recalcado e prisioneiro de uma masmorra construída por ele mesmo e feita com “tijolos morais”). Acontece que observamos as mesmas “neuroses” no campo da política e da economia. Basta associarmos corretamente as coisas: o liberalismo político e econômico, por exemplo, visa a liberdade total de cada individuo para ele fazer o que quiser ou, pelo menos, dentro de certos limites impostos pela sociedade. Este é um exemplo de excesso de ID. Já os diversos tipos de totalitarismo, tanto de direita quanto de esquerda, procuram controlar ao máximo possível os passos de cada individuo e mantê-los em “Rédeas curtas”. É um caso de excesso de SUPEREGO.

Seguindo o mesmo princípio, vemos que os defensores do capitalismo sofrem de excesso de ID, uma vez que no capitalismo, cada individuo é incentivado a buscar de forma absoluta o próprio prazer sem se preocupar com os outros. É o hedonismo total. É a criança que quer tudo e nunca está satisfeita com nada. Por sua vez o comunismo stalinista, sofre de excesso de SUPEREGO, já que cada individuo é obrigado a se preocupar demais com a vida alheia, se esquecendo da própria individualidade. Diante deste quadro, podemos falar que a solução está (como sempre esteve) em algum sistema “intermediário” entre estes dois extremos patológicos. É preciso lutar para que o EGO, a razão, passe a dominar os nossos passos neste importantíssimo campo das escolhas políticas e econômicas, se quisermos ter, verdadeiramente, um futuro.