Vejam este longo trecho do livro História do Pensamento Econômico de Robert Heilbroner (pág.: 33-34):
“Mas o capital não é o único agente de produção que se debate freneticamente na tentativa de evitar os perigos do modo de vida do mercado. O que acontece com o trabalho é ainda mais desesperado.
Voltemos à Inglaterra.
Estamos em fins do século dezesseis, a grande era da expansão e aventura. A rainha Elizabeth fez uma viagem triunfal pelo reino e retorna com uma estranha queixa:
- Há mendigos por toda parte! – reclama.
Esta é uma observação surpreendente, pois apenas cem anos antes o interior da Inglaterra consistia em grande parte de proprietários camponeses que cultivavam suas próprias terras; tratava-se do pequeno proprietário, orgulho da Inglaterra, o maior grupo do mundo de cidadãos independentes, livres e prósperos. Agora, “Há mendigos por toda parte!” O que havia acontecido neste ínterim?
O que acontecera fora um enorme movimento de expropriação – ou, melhor, o início desse movimento que ainda começava a se desenvolver nesta época. A lã tornara-se uma mercadoria nova, lucrativa, e exigira que seu produtor tivesse amplas pastagens. Os pastos fazem parte das terras comuns; uma verdadeira e louca colcha de retalhos formada por pequenas e espalhadas propriedades (sem cerca e identificáveis apenas por uma árvore aqui, uma pedra ali, que funcionavam como limites entre as terras de um homem e de outro) e pelas terras comuns, nas quais o gado do pequeno proprietário se alimenta e nas quais ele colhe a trufa. Essas terras de repente são declaradas inteiramente como propriedades absolutas dos lordes e não mais disponíveis para uso dos camponeses. Onde antes havia uma espécie de propriedade comum, agora existe a propriedade privada. Onde antes havida pequenos proprietários rurais, agora há ovelhas. John Hales escreveu, em 1549: “...onde XL pessoas viviam, agora um só homem e seu pastor ocupam tudo...
Sim, as ovelhas são a causa de todos esses males, pois expulsaram a lavoura dos campos, que antes proporcionavam grande quantidade de alimentos de todo tipo, e agora só há ovelhas, ovelhas”.
É quase impossível imaginar o resultado e o impacto do processo de fechamento das terras. Mais ou menos em meados do século dezesseis começaram a explodir revoltas; em um desses levantes morreram 3500 pessoas. Em meados do século dezoito o processo ainda estava em plena efervescência; só em meados do século dezenove estaria completando seu terrível curso histórico. Assim, em 1820, cerca de cinqüenta anos depois da Revolução Americana, a duquesa de Sutherland removeu 15000 camponeses de 794000 acres de terra, substituindo-os por 131000 ovelhas, e como compensação arrendou um média de dois acres de terras marginais para cada uma das famílias desalojadas.
Mas não é apenas o confisco de terras em massa que merece atenção. A verdadeira tragédia aconteceu com o camponês. Despojado do direito de usar as terras comuns, ele não mais podia se manter como “fazendeiro”. Uma vez que não havia terras à venda, ele não podia – mesmo se quisesse – transformar-se em operário. Tornou-se, então, a mais miserável de todas as classes sociais, um proletário agrícola; onde não havia trabalho disponível em lavouras, ele acabou por se transformar em indigente, até mesmo em ladrão e comumente em mendigo.”
O final da história é previsível: as famílias aristocráticas ficaram com as terras que pertenciam aos pequenos agricultores. Com o surgimento da classe burguesa no período capitalista a maioria das terras mudou de mãos, passaram aos capitalistas que compravam as terras da decadente nobreza. E os agricultores pobres que viviam muito bem com suas pequenas terras nunca mais recuperaram o seu legítimo patrimônio! E assim temos hoje um verdadeiro exército de mendigos nas ruas. É por isso que a luta pela reforma agrária é apenas uma forma de compensação pelos prejuízos que os mais ricos causaram e causam aos mais pobres durante toda a história.
sábado, 21 de novembro de 2009
sábado, 12 de setembro de 2009
A questão da criminalidade entre os mais pobres e o analfabetismo científico neoliberal.
Os diversos setores da direita política e os neoliberais (estes principalmente) costumam se autoproclamar como “inteligentes”, enquanto os representantes da esquerda, os “esquerdóides”, os “esquerdopatas”, dentre outros adjetivos mais pejorativos ainda; são chamados de “burros”, “idiotas”, “incapazes de raciocínio lógico”, etc. É interessante prestar atenção a dois fatos:
1 – A esmagadora maioria dos intelectuais mais ativos e competentes da atualidade são de esquerda! Também, os mais influentes e devidamente empregados nas maiores universidades do mundo, são destes setor político. Exemplos não faltam: Noam Chomsky, lingüista; Slavoj Zizek, filósofo; Ferreira Gullar, escritor; Oscar Niemeyer, arquiteto; dentre tantos outros. O mesmo não se pode dizer de direitistas e neoliberais, que contam nos dedos os seus representantes intelectuais, sem falar que a quase totalidade destes têm como emprego o colunismo de jornais e revistas de credibilidade duvidosa, onde fazem os seus “seguidores”, não nos meios mais cultos da sociedade, e sim entre os mais ignorantes representantes da nossa classe média que, incapazes de pensar por si próprios, buscam nestes fraquíssimos colunistas alguém para “pensar” por eles.
2- É absolutamente evidente que os direitistas e neoliberais são completamente analfabetos em matéria de ciências “duras” como matemática, física e biologia. Eles, normalmente, são conhecedores de certas ciências humanas, como a ciência política, a sociologia e a história, e mesmo assim em um nível insuficiente para proferir uma frase pequena dotada de sentido! Ora, é óbvio que uma ciência que estuda um objeto tão complexo quanto o ser humano, não pode reduzir-se à preposições da física e da biologia, mas faz parte do mais evidente bom senso considerar a física e a biologia como disciplinas básicas e preparatórias para compreender o homem, afinal antes de ser “social”, o ser humano é, pela ordem, um animal, um organismo e um sistema composto por matéria, energia e informação! Mas, os nossos “inteligentíssimos” representantes da direta e os neoliberais, não entendem isto, e pior, não querem nem tentar entender, afinal uma vez ignorantes em física e biologia, eles fazem questão de promover e incentivar a ignorância nestas disciplinas. “Para que uma pessoa precisa saber de física e biologia quando se está falando de política?”, perguntam os pobres analfabetos. Pois bem, eu já vou explicar: Um certo Reinaldo Azevedo (Formado? Em que? Onde? Com que competência?) publicou, em uma certa revistinha semanal, atualmente investigada pela polícia: “Só é criminoso quem quer; trata-se de uma escolha.” e depois completou com o típico pensamento de um analfabeto científico. “À esquerda, pouco importa o matiz, vive ainda no marxismo do século XIX. É incapaz de entender o homem como um ser dotado de vontade, apto a fazer opções, equipado para distinguir o bem do mal. Seu aparato analítico é fruto do naturalismo do século retrasado, quando o pensamento foi dominado pelo determinismo científico. “O fato é que, qualquer pessoa que tenha prestado atenção nas suas aulas de biologia do ensino médio (não sei se este sujeito concluiu o ensino médio) aprendeu que, qualquer organismo é o produto de duas coisas bem conhecidas pela ciência mais avançada – o código genético e o meio ambiente - a referida “liberdade de escolha” do ser humano fica espremida entre estas duas vigas mestras. Ou seja, o anacrônico aqui é este miserável imbecil que ainda não conhece nem os Trabalhos de Johann Gregor Mendel, pai da genética; e de Ernest Haeckel, pai da ecologia! O mais inacreditável, é o grau de “certeza” com que estes ideólogos pronunciam as suas asneiras anticientíficas. Eles não respeitam nem a lógica, nem as mais refinadas ciências fatuais! Por isso eu resolvi apelar para duas apostas para acabar de vez com a arrogância destes ideólogos direitistas e neoliberais. Eu proponho o seguinte:
1º - Uma pesquisa científica, feita por estatísticos profissionais, que analise todas as classes sociais e que possa abranger, também, os moradores de bairros de luxo, bairros de classe média e favelas. A pergunta a ser feita aos moradores é, dentre outras, “quantas vezes você sofreu, ou via a prática, de um ato de violência?” A minha aposta, baseada em investigação puramente empírica e não estatística, é que os moradores de favela sofreram ou viram muito mais casos de violência que os moradores dos bairros de luxo, o que comprovaria que o ambiente que se vive é fundamental para a formação de novos criminosos! Mas, se vocês não tem coragem (ou competência) para fazer e compreender uma pesquisa científica, eu proponho, então, um outro desafio mais simples.
2º - Basta fazer o seguinte: eu darei um passeio noturno por um bairro de luxo e você direitista ou neoliberal irá para uma favela reconhecidamente perigosa (neste assunto nós temos sim, pesquisas estatísticas sofisticadas que mostram as áreas de risco de uma cidade. A própria UFMG possui uma excelente pesquisa sobre as áreas perigosas de Belo Horizonte. “Coincidentemente” as áreas mais perigosas são as regiões de favelas!). Aceitam o meu desafio? Ou além de analfabetos científicos, mentirosos e preconceituosos, vocês são covardes também?
Esclarecimento: Eu sou filho da ciência! Minha infância e adolescência eu passei estudando matemática, física, biologia e não filosofia e ciências políticas. Se me tornei um tipo de socialista em algum momento de minha vida, foi por ter estudado a simbiose na ciência da ecologia e não por ter lido O Manifesto Comunista ou O Capital!
1 – A esmagadora maioria dos intelectuais mais ativos e competentes da atualidade são de esquerda! Também, os mais influentes e devidamente empregados nas maiores universidades do mundo, são destes setor político. Exemplos não faltam: Noam Chomsky, lingüista; Slavoj Zizek, filósofo; Ferreira Gullar, escritor; Oscar Niemeyer, arquiteto; dentre tantos outros. O mesmo não se pode dizer de direitistas e neoliberais, que contam nos dedos os seus representantes intelectuais, sem falar que a quase totalidade destes têm como emprego o colunismo de jornais e revistas de credibilidade duvidosa, onde fazem os seus “seguidores”, não nos meios mais cultos da sociedade, e sim entre os mais ignorantes representantes da nossa classe média que, incapazes de pensar por si próprios, buscam nestes fraquíssimos colunistas alguém para “pensar” por eles.
2- É absolutamente evidente que os direitistas e neoliberais são completamente analfabetos em matéria de ciências “duras” como matemática, física e biologia. Eles, normalmente, são conhecedores de certas ciências humanas, como a ciência política, a sociologia e a história, e mesmo assim em um nível insuficiente para proferir uma frase pequena dotada de sentido! Ora, é óbvio que uma ciência que estuda um objeto tão complexo quanto o ser humano, não pode reduzir-se à preposições da física e da biologia, mas faz parte do mais evidente bom senso considerar a física e a biologia como disciplinas básicas e preparatórias para compreender o homem, afinal antes de ser “social”, o ser humano é, pela ordem, um animal, um organismo e um sistema composto por matéria, energia e informação! Mas, os nossos “inteligentíssimos” representantes da direta e os neoliberais, não entendem isto, e pior, não querem nem tentar entender, afinal uma vez ignorantes em física e biologia, eles fazem questão de promover e incentivar a ignorância nestas disciplinas. “Para que uma pessoa precisa saber de física e biologia quando se está falando de política?”, perguntam os pobres analfabetos. Pois bem, eu já vou explicar: Um certo Reinaldo Azevedo (Formado? Em que? Onde? Com que competência?) publicou, em uma certa revistinha semanal, atualmente investigada pela polícia: “Só é criminoso quem quer; trata-se de uma escolha.” e depois completou com o típico pensamento de um analfabeto científico. “À esquerda, pouco importa o matiz, vive ainda no marxismo do século XIX. É incapaz de entender o homem como um ser dotado de vontade, apto a fazer opções, equipado para distinguir o bem do mal. Seu aparato analítico é fruto do naturalismo do século retrasado, quando o pensamento foi dominado pelo determinismo científico. “O fato é que, qualquer pessoa que tenha prestado atenção nas suas aulas de biologia do ensino médio (não sei se este sujeito concluiu o ensino médio) aprendeu que, qualquer organismo é o produto de duas coisas bem conhecidas pela ciência mais avançada – o código genético e o meio ambiente - a referida “liberdade de escolha” do ser humano fica espremida entre estas duas vigas mestras. Ou seja, o anacrônico aqui é este miserável imbecil que ainda não conhece nem os Trabalhos de Johann Gregor Mendel, pai da genética; e de Ernest Haeckel, pai da ecologia! O mais inacreditável, é o grau de “certeza” com que estes ideólogos pronunciam as suas asneiras anticientíficas. Eles não respeitam nem a lógica, nem as mais refinadas ciências fatuais! Por isso eu resolvi apelar para duas apostas para acabar de vez com a arrogância destes ideólogos direitistas e neoliberais. Eu proponho o seguinte:
1º - Uma pesquisa científica, feita por estatísticos profissionais, que analise todas as classes sociais e que possa abranger, também, os moradores de bairros de luxo, bairros de classe média e favelas. A pergunta a ser feita aos moradores é, dentre outras, “quantas vezes você sofreu, ou via a prática, de um ato de violência?” A minha aposta, baseada em investigação puramente empírica e não estatística, é que os moradores de favela sofreram ou viram muito mais casos de violência que os moradores dos bairros de luxo, o que comprovaria que o ambiente que se vive é fundamental para a formação de novos criminosos! Mas, se vocês não tem coragem (ou competência) para fazer e compreender uma pesquisa científica, eu proponho, então, um outro desafio mais simples.
2º - Basta fazer o seguinte: eu darei um passeio noturno por um bairro de luxo e você direitista ou neoliberal irá para uma favela reconhecidamente perigosa (neste assunto nós temos sim, pesquisas estatísticas sofisticadas que mostram as áreas de risco de uma cidade. A própria UFMG possui uma excelente pesquisa sobre as áreas perigosas de Belo Horizonte. “Coincidentemente” as áreas mais perigosas são as regiões de favelas!). Aceitam o meu desafio? Ou além de analfabetos científicos, mentirosos e preconceituosos, vocês são covardes também?
Esclarecimento: Eu sou filho da ciência! Minha infância e adolescência eu passei estudando matemática, física, biologia e não filosofia e ciências políticas. Se me tornei um tipo de socialista em algum momento de minha vida, foi por ter estudado a simbiose na ciência da ecologia e não por ter lido O Manifesto Comunista ou O Capital!
Amor e Compaixão: formando a civilização
“Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.” MATEUS 19:19; assim diz a bíblia em seu evangelho, no entanto, eu pergunto, eu pergunto: quantas pessoas, sendo cristãs ou não, cumprem este novo mandamento de Cristo? Uma ínfima minoria, com certeza. As pessoas não costumam amar ao seu próximo, a menos que seja um parente muito querido e, mesmo assim, isto é algo cada vez mais raro de se ver em nossos dias. Não é incomum encontrar pais não amando os seus filhos e filhos não amando os seus pais. Penso, na verdade, que é demais pedir à alguém que AME de fato um desconhecido em um momento histórico em que as pessoas mal estão amando os seus parentes mais próximos.
No entanto, a humanidade chegou aonde chegou, por meio de dois sentimentos claramente socializantes e civilizadores: o amor e a compaixão. Foi pelo amor que pais criaram os seus filhos e isto permitiu que se criasse a “família” que é o eixo principal de qualquer sociedade. E foi pela compaixão, ou seja, pela capacidade de uma pessoa sentir “pena” pelo seu semelhante que sofre, mesmo que seja um desconhecido. Foi assim que a sociedade se estruturou. É a compaixão e não o amor que devemos pedir para um estranho. É através do sentimento de compaixão (e o seu subproduto: o altruísmo) que um estranho faz algo de positivo por outra pessoa. O amor universal entre os homens é algo muito bonito de se sonhar, mas não é realizável! O amor tem o seu papel na construção social, ele é o sentimento mais importante: “Agora, pois, permanecem a fé a esperança e o amor, estes três, mas o maior deles é o amor.” 1 CORINTIOS 13:13. Sem o amor não haveria a semente inicial que deu origem à sociedade, mas é a compaixão que é a “cola” que mantém a sociedade unida.
É verdade que o altruísmo pode conter um fundo plenamente egoísta. Basta pensarmos em um caso em que uma pessoa ajuda crianças carentes com donativos. Há duas possibilidades: ou esta pessoa ajuda as crianças com o objetivo de evitar com que elas se transformem em futuros marginais (o que poderia colocar a vida do nosso filantropo em perigo constante) neste caso temos um caso de “egoísmo esclarecido”, onde a pessoa ajuda a outra para evitar um mal pessoal futuro e não porque é “boazinha”. Outra opção é a pessoa ajudar o seu próximo por “pena”: o sujeito se compadece pelo sofrimento das crianças e as ajuda de forma “completamente desinteressada”. Será? Podemos imaginar, também, que o sujeito angustiado pelo sentimento de pena que sente, busca o alívio deste sentimento deste sentimento negativo ajudando a quem precisa. Mais uma vez temos um tipo de egoísmo só que menos “esclarecido”. Fica a pergunta: “Como surgiu o sentimento de ‘pena’ no ser humano, evolutivamente falando?” “Para que ele serve?” Talvez seja um sentimento surgido com o objetivo de facilitar à socialização entre os humanos. Talvez seja outra coisa. Quem pode saber? O que podemos dizer com alguma certeza é que os sentimentos de amor (na construção do alicerce da sociedade: a família) e a compaixão (no estabelecimento da consistência e da tenacidade da sociedade pela aproximação que faz de pessoas completamente desconhecidas) não devem nunca ser desvalorizados por nenhum tipo de ideologia, política ou econômica, sob pena de ver a estrutura da sociedade se desmoronar.
No entanto, a humanidade chegou aonde chegou, por meio de dois sentimentos claramente socializantes e civilizadores: o amor e a compaixão. Foi pelo amor que pais criaram os seus filhos e isto permitiu que se criasse a “família” que é o eixo principal de qualquer sociedade. E foi pela compaixão, ou seja, pela capacidade de uma pessoa sentir “pena” pelo seu semelhante que sofre, mesmo que seja um desconhecido. Foi assim que a sociedade se estruturou. É a compaixão e não o amor que devemos pedir para um estranho. É através do sentimento de compaixão (e o seu subproduto: o altruísmo) que um estranho faz algo de positivo por outra pessoa. O amor universal entre os homens é algo muito bonito de se sonhar, mas não é realizável! O amor tem o seu papel na construção social, ele é o sentimento mais importante: “Agora, pois, permanecem a fé a esperança e o amor, estes três, mas o maior deles é o amor.” 1 CORINTIOS 13:13. Sem o amor não haveria a semente inicial que deu origem à sociedade, mas é a compaixão que é a “cola” que mantém a sociedade unida.
É verdade que o altruísmo pode conter um fundo plenamente egoísta. Basta pensarmos em um caso em que uma pessoa ajuda crianças carentes com donativos. Há duas possibilidades: ou esta pessoa ajuda as crianças com o objetivo de evitar com que elas se transformem em futuros marginais (o que poderia colocar a vida do nosso filantropo em perigo constante) neste caso temos um caso de “egoísmo esclarecido”, onde a pessoa ajuda a outra para evitar um mal pessoal futuro e não porque é “boazinha”. Outra opção é a pessoa ajudar o seu próximo por “pena”: o sujeito se compadece pelo sofrimento das crianças e as ajuda de forma “completamente desinteressada”. Será? Podemos imaginar, também, que o sujeito angustiado pelo sentimento de pena que sente, busca o alívio deste sentimento deste sentimento negativo ajudando a quem precisa. Mais uma vez temos um tipo de egoísmo só que menos “esclarecido”. Fica a pergunta: “Como surgiu o sentimento de ‘pena’ no ser humano, evolutivamente falando?” “Para que ele serve?” Talvez seja um sentimento surgido com o objetivo de facilitar à socialização entre os humanos. Talvez seja outra coisa. Quem pode saber? O que podemos dizer com alguma certeza é que os sentimentos de amor (na construção do alicerce da sociedade: a família) e a compaixão (no estabelecimento da consistência e da tenacidade da sociedade pela aproximação que faz de pessoas completamente desconhecidas) não devem nunca ser desvalorizados por nenhum tipo de ideologia, política ou econômica, sob pena de ver a estrutura da sociedade se desmoronar.
domingo, 7 de junho de 2009
Porque a existência de pessoas ricas incomoda tanto os movimentos ecológicos?
É bastante comum entre os capitalistas liberais ou entre direitistas de toda a espécie dizer que o “capitalismo é o melhor sistema econômico porque dá liberdade à todas pessoas. Liberdade para ganhar dinheiro de forma que quiserem, a quantidade que quiserem e para fazer com este dinheiro o que bem entenderem: acumula-lo, gasta-lo ou doa-lo a outras pessoas.” Tudo isto é muito bonito na teoria, mas na prática a realidade é outra. No mundo real, no nosso mundo de recursos naturais finitos e submetido às leis da física (especialmente às leis da termodinâmica) ser rico significa, necessariamente, ser possuidor e dono de uma parte substancial destes recursos naturais finitos!
Tudo isto apresenta uma conclusão muito simples e direta:
O que os ecossocialistas querem é que todas as pessoas do mundo tenham um modo de vida verdadeiramente sustentável ecologicamente, e isto exclui tanto as classes ricas quanto à classe média de padrão norte-americano.
Isto significa que queremos todas as pessoas do mundo vivendo na pobreza? É evidente que não! Isto é uma falácia pregada pelos liberais e direitistas que gastam boa parte do seu tempo ocioso para tentar desmoralizar a esquerda política com mentiras. Ora, riqueza e pobreza são conceitos polares e dialéticos . Um conceito não existe sem o outro. Logo, não podemos ter nem “todas as pessoas do mundo como pobres”, nem “todas as pessoas do mundo como ricas” (outra falácia pregada por liberais e direitistas, principalmente nos EUA pouco antes da Quebra da Bolsa de Valores em 1929. Um exemplo é o artigo escrito por John J. Raskob ao Ladies Home Jornal, entitulado “Todos devem ser ricos”. HELLBRONER, Robert. A História do Pensamento Econômico. Nova Cultural: São Paulo, 1996. pág: 232). Ter “todo mundo rico” ou “todo mundo pobre” é, em termos lógicos, impossível! No entanto, em termos de ciência física, ter “todos os homens ricos” consegue ser ainda menos possível que “todos os homens pobres”. Como podemos saber isto? É o que você pode perguntar. Não é fácil explicar, você precisa ter conhecimento de física para entender o argumento, mas vamos tentar fazer alguma coisa. Em primeiro lugar é preciso reconhecer e aceitar que a ciência da física é muito mais precisa e confiável que qualquer outra ciência, principalmente as ciências humanas, que se preocupam em estudar as diversas culturas e ideologias que proliferam entre os seres humanos. Um resultado de uma experiência da física é muito mais confiável que uma investigação do funcionamento de uma ideologia e isto por uma razão bastante simples: o objeto de estudo das ciências humanas é muito mais complexo que o objeto de estudo da ciência física, o homem. Mas, isto só reforça a nossa tese inicial, de que devemos dar ouvidos primeiro aos físicos e só depois prestarmos atenção naquilo que os estudiosos dos seres humanos te a dizer. E mais um detalhe importante: a ciência física deve servir de base e fundamento para todos os outros estudiosos de quaisquer áreas mas, principalmente, da área de ciências humanas. Assim quando um cientista ou filósofo estiver dissertando sobre qualquer assunto ligado à culturas humanas e ideológicas, devemos nos perguntar: “O que este senhor está dizendo é o contrário ou bate de frente contra alguma lei física?” Se a resposta for “sim”, então tudo o que estes profissionais das ciências humanas e da filosofia estão dizendo é distituído de significado.
Assim, aquilo que liberais e direitistas afirmam sobre a possibilidade de que todas as pessoas do mundo podem ter e manter um padrão de vida estilo “classe média americana” é, simplesmente, falso! Isto porque em suas cabeças cientificamente analfabetas, nem sequer passa a idéia que isto ofende as quatro leis da termodinâmica, em especial a segunda lei que diz (segundo a formulação dada de forma precisa por Rudolf Clausius) que: “A medida da entropia em um sistema qualquer, tende à um valor máximo”. O que isto significa? Primeiro tente imaginar uma caixa de areia. Esta caixa não deve ser uniforme, ela deve formar “montanhas” e “vales” e ter até um “castelo” construído por uma criança. Agora procure imaginar que você está dando marteladas nesta caixa feita com algum material resistente como madeira ou aço. O que acontece com a areia da caixa? As “montanhas” começam a diminuir de tamanho, o “castelo” começa a ruir e os vales vão lentamente sendo cobertos pela areia das “montanhas” até que tudo esteja nivelado e, neste momento, você percebe que continuar a bater na caixa é inútil pois nada de novo acontece: a areia continuará nivelada. Pois bem é isto o que está acontecendo em todo o Universo neste exato momento: todos os planetas, estrelas, cometas e buracos negros caminham inevitavelmente para a chamada “morte térmica” onde toda a matéria, energia e informação vão se diluindo inevitavelmente e é exatamente isto o que mede a entropia (o grau de desordem de um sistema). Diante deste quadro físico o que podem fazer os homens? Nada, se eles pensam em diminuir a entropia e, tudo se eles pretendem aumentá-la! E é exatamente isto o que o seres humanos fazem hoje com o planeta Terra: eles aceleram o aumento de entropia no planeta com a sua exploração de recursos naturais finitos e escassos. Podemos pegar vários exemplos. O minério de ferro, por exemplo, é um recurso natural escasso. Pesquisas geológicas mostram que todo o minério de ferro existente hoje na crosta terrestre é produto de uma reação química muito simples: há exatamente 2,2 bilhões de anos atrás os oceanos primitivos da Terra tinham uma grande quantidade do íon Fe²⁺ diluído em suas águas o que tornava a coloração da água esverdeada. O que ocorreu foi que estes íons se ligavam à átomos de oxigênio ou enxofre formando os sólidos, óxido de ferro e sulfato de ferro que foram depositando-se, lentamente, no fundo dos oceanos, formando uma fina camada deste material que viria a ser o nosso minério de ferro 2,2 bilhões de anos depois. Ou seja, todo o nosso minério de ferro encontrado e explorado irracionalmente nos nossos dias é produto de uma reação química que ocorreu uma única vez para nunca mais acontecer, nos antigos oceanos da Terra! Por que, então, desmanchamos montanhas e usamos este minério de ferro finito e não-renovável para construir mais e mais automóveis e estruturas de edifícios? E mais, incentivamos as pessoas com propagandas a terem dois, três, ou mais automóveis (típico de uma família classe média americana) e ainda, que devemos sempre continuar comprando automóveis novos e formar com os velhos imensos cemitérios de carros que poderiam muito bem ser consertados e usados por décadas a fio. Que espécie de loucura irresponsável é esta que nos faz usar um recurso natural finito, escasso e não renovável (a não ser pela reciclagem) sem pensar no futuro? Pois é isto o que fazem liberais e direitistas mundo afora, não apenas com o minério de ferro, mas também com os finitos e cada vez mais escassos: solo fértil, água potável e petróleo. Eles pensam apenas no “hoje” e se esquecem do “amanhã”. São como animais irracionais que obedecem ao impulso primitivo hedonista de possuir mais e mais, em consumir mais e mais, e em enriquecer mais e mais. É o prazer a todo custo, mesmo que o preço seja a extinção da própria espécie humana.
Eis, então, o motivo que faz qualquer partidário dos movimentos ecológicos ser contra a existência de ricos e mesmo de representantes de uma classe média no estilo norte-americano. O fato é que se todas as pessoas do mundo tivessem o padrão de vida dos norte-americanos, os recursos naturais finitos da Terra já teriam acabado.
Ser rico é o ideal de vida de liberais e direitistas, esta é a ignóbil razão da existência humana para eles. Nós, ao contrário, dizemos que o homem está na Terra para honrá-la com a nossa inteligência e não desonrá-la com a nossa estupidez. Dizemos que os mais abastados representam desperdício de recursos naturais e mais nada. Logo, não somos favoráveis à pobreza geral, mas a uma existência racional e verdadeiramente sustentável.
Tudo isto apresenta uma conclusão muito simples e direta:
O que os ecossocialistas querem é que todas as pessoas do mundo tenham um modo de vida verdadeiramente sustentável ecologicamente, e isto exclui tanto as classes ricas quanto à classe média de padrão norte-americano.
Isto significa que queremos todas as pessoas do mundo vivendo na pobreza? É evidente que não! Isto é uma falácia pregada pelos liberais e direitistas que gastam boa parte do seu tempo ocioso para tentar desmoralizar a esquerda política com mentiras. Ora, riqueza e pobreza são conceitos polares e dialéticos . Um conceito não existe sem o outro. Logo, não podemos ter nem “todas as pessoas do mundo como pobres”, nem “todas as pessoas do mundo como ricas” (outra falácia pregada por liberais e direitistas, principalmente nos EUA pouco antes da Quebra da Bolsa de Valores em 1929. Um exemplo é o artigo escrito por John J. Raskob ao Ladies Home Jornal, entitulado “Todos devem ser ricos”. HELLBRONER, Robert. A História do Pensamento Econômico. Nova Cultural: São Paulo, 1996. pág: 232). Ter “todo mundo rico” ou “todo mundo pobre” é, em termos lógicos, impossível! No entanto, em termos de ciência física, ter “todos os homens ricos” consegue ser ainda menos possível que “todos os homens pobres”. Como podemos saber isto? É o que você pode perguntar. Não é fácil explicar, você precisa ter conhecimento de física para entender o argumento, mas vamos tentar fazer alguma coisa. Em primeiro lugar é preciso reconhecer e aceitar que a ciência da física é muito mais precisa e confiável que qualquer outra ciência, principalmente as ciências humanas, que se preocupam em estudar as diversas culturas e ideologias que proliferam entre os seres humanos. Um resultado de uma experiência da física é muito mais confiável que uma investigação do funcionamento de uma ideologia e isto por uma razão bastante simples: o objeto de estudo das ciências humanas é muito mais complexo que o objeto de estudo da ciência física, o homem. Mas, isto só reforça a nossa tese inicial, de que devemos dar ouvidos primeiro aos físicos e só depois prestarmos atenção naquilo que os estudiosos dos seres humanos te a dizer. E mais um detalhe importante: a ciência física deve servir de base e fundamento para todos os outros estudiosos de quaisquer áreas mas, principalmente, da área de ciências humanas. Assim quando um cientista ou filósofo estiver dissertando sobre qualquer assunto ligado à culturas humanas e ideológicas, devemos nos perguntar: “O que este senhor está dizendo é o contrário ou bate de frente contra alguma lei física?” Se a resposta for “sim”, então tudo o que estes profissionais das ciências humanas e da filosofia estão dizendo é distituído de significado.
Assim, aquilo que liberais e direitistas afirmam sobre a possibilidade de que todas as pessoas do mundo podem ter e manter um padrão de vida estilo “classe média americana” é, simplesmente, falso! Isto porque em suas cabeças cientificamente analfabetas, nem sequer passa a idéia que isto ofende as quatro leis da termodinâmica, em especial a segunda lei que diz (segundo a formulação dada de forma precisa por Rudolf Clausius) que: “A medida da entropia em um sistema qualquer, tende à um valor máximo”. O que isto significa? Primeiro tente imaginar uma caixa de areia. Esta caixa não deve ser uniforme, ela deve formar “montanhas” e “vales” e ter até um “castelo” construído por uma criança. Agora procure imaginar que você está dando marteladas nesta caixa feita com algum material resistente como madeira ou aço. O que acontece com a areia da caixa? As “montanhas” começam a diminuir de tamanho, o “castelo” começa a ruir e os vales vão lentamente sendo cobertos pela areia das “montanhas” até que tudo esteja nivelado e, neste momento, você percebe que continuar a bater na caixa é inútil pois nada de novo acontece: a areia continuará nivelada. Pois bem é isto o que está acontecendo em todo o Universo neste exato momento: todos os planetas, estrelas, cometas e buracos negros caminham inevitavelmente para a chamada “morte térmica” onde toda a matéria, energia e informação vão se diluindo inevitavelmente e é exatamente isto o que mede a entropia (o grau de desordem de um sistema). Diante deste quadro físico o que podem fazer os homens? Nada, se eles pensam em diminuir a entropia e, tudo se eles pretendem aumentá-la! E é exatamente isto o que o seres humanos fazem hoje com o planeta Terra: eles aceleram o aumento de entropia no planeta com a sua exploração de recursos naturais finitos e escassos. Podemos pegar vários exemplos. O minério de ferro, por exemplo, é um recurso natural escasso. Pesquisas geológicas mostram que todo o minério de ferro existente hoje na crosta terrestre é produto de uma reação química muito simples: há exatamente 2,2 bilhões de anos atrás os oceanos primitivos da Terra tinham uma grande quantidade do íon Fe²⁺ diluído em suas águas o que tornava a coloração da água esverdeada. O que ocorreu foi que estes íons se ligavam à átomos de oxigênio ou enxofre formando os sólidos, óxido de ferro e sulfato de ferro que foram depositando-se, lentamente, no fundo dos oceanos, formando uma fina camada deste material que viria a ser o nosso minério de ferro 2,2 bilhões de anos depois. Ou seja, todo o nosso minério de ferro encontrado e explorado irracionalmente nos nossos dias é produto de uma reação química que ocorreu uma única vez para nunca mais acontecer, nos antigos oceanos da Terra! Por que, então, desmanchamos montanhas e usamos este minério de ferro finito e não-renovável para construir mais e mais automóveis e estruturas de edifícios? E mais, incentivamos as pessoas com propagandas a terem dois, três, ou mais automóveis (típico de uma família classe média americana) e ainda, que devemos sempre continuar comprando automóveis novos e formar com os velhos imensos cemitérios de carros que poderiam muito bem ser consertados e usados por décadas a fio. Que espécie de loucura irresponsável é esta que nos faz usar um recurso natural finito, escasso e não renovável (a não ser pela reciclagem) sem pensar no futuro? Pois é isto o que fazem liberais e direitistas mundo afora, não apenas com o minério de ferro, mas também com os finitos e cada vez mais escassos: solo fértil, água potável e petróleo. Eles pensam apenas no “hoje” e se esquecem do “amanhã”. São como animais irracionais que obedecem ao impulso primitivo hedonista de possuir mais e mais, em consumir mais e mais, e em enriquecer mais e mais. É o prazer a todo custo, mesmo que o preço seja a extinção da própria espécie humana.
Eis, então, o motivo que faz qualquer partidário dos movimentos ecológicos ser contra a existência de ricos e mesmo de representantes de uma classe média no estilo norte-americano. O fato é que se todas as pessoas do mundo tivessem o padrão de vida dos norte-americanos, os recursos naturais finitos da Terra já teriam acabado.
Ser rico é o ideal de vida de liberais e direitistas, esta é a ignóbil razão da existência humana para eles. Nós, ao contrário, dizemos que o homem está na Terra para honrá-la com a nossa inteligência e não desonrá-la com a nossa estupidez. Dizemos que os mais abastados representam desperdício de recursos naturais e mais nada. Logo, não somos favoráveis à pobreza geral, mas a uma existência racional e verdadeiramente sustentável.
sábado, 25 de abril de 2009
Nietzsche contra Jesus Cristo, ou por que devemos proteger os mais pobres.
Nietzsche contra Jesus Cristo, ou por que devemos proteger os mais pobres.
Friedrich Nietzsche não costuma ser considerado um “monstro” ou uma pessoa ruim. Ele não é colocado na mesma prateleira que Adolf Hitler ou Josef Mengele. No entanto, o próprio Nietzsche se auto proclamava “o mais ímpio dos homens” ou como “O Anticristo”, ou seja, como o ser humano mais contrário aos ensinamentos de Cristo que já existiu. Mas, qual parte da doutrina de Cristo, Nietzsche queria mostrar que não concordava? Muito simples: Cristo pregava que todos os homens são iguais perante Deus e que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus”, já o filósofo alemão dizia que há seres humanos melhores que os outros. Jesus dizia que só Deus era superior a todos os seres humanos e que só Ele é digno de admiração. Nietzsche protestava afirmando que “este Deus está morto” e que a única coisa que merece admiração, é o grau máximo de um homem superior: o Super-homem.
Uma boa parte das pessoas do mundo dizem, sem muita convicção, que seguem os ensinamentos de Cristo mas, na realidade, quando colocamos as pessoas contra a parede, o que observamos é que elas são discípulas de Nietzsche, mesmo sem saber quem foi este filósofo e o que ele escreveu! Cada um dos seres humanos costuma se achar melhor que o resto da humanidade, e a chamada “humildade cristã” é completamente esquecida.
Vivemos em tempos difíceis! Nossa época é caracterizada pela adoção de uma ética nietzscheana, onde o comportamento do homem capitalista, competitivo e egoísta é incentivado ao máximo. O homem, dizem, deve ser forte e impiedoso, e “a piedade é para os fracos” completam! Você é admirado pelo número dede adversários que consegue derrotar: se você passa em um vestibular para medicina, então você é merecedor das maiores glórias do mundo, afinal são 100 candidatos por vagas passar neste vestibular significa derrotar 100 pessoas. No entanto, se você passa no vestibular para pedagogia, então você não merece grandes honras, afinal o curso tem apenas 5 candidatos por vaga! Não importa que um pedagogo seja tão importante quanto um médico; ser médico é mais glorioso. No mundo dos negócios vemos a mesma coisa: um empresário é mais ou menos admirado de acordo como número de concorrentes ele consegue “destruir” e empurrar para fora do mercado. Eis o retrato do nosso atual mundo nietzscheano!
Esta nova ética, tal como um deus asteca, exige “sacrifícios humanos” para continuar existindo, e os escolhidos para o sacrifício ao deus mercado são, justamente, os mais fracos, os mais desamparados, os menos preparados para esta vida capitalista: os mais pobres.
Riqueza e pobreza são (como bem diz Gilbert Ryle) “Conceitos Polares”, ou seja, um não existe sem o outro, um não faz sentido sem o outro. Por isso, dizer que pode existir uma comunidade onde todas as pessoas são ricas é um contra-senso. Da mesma forma que é contra-senso dizer que “em outros regimes políticos que não o capitalismo, todas as pessoas são pobres”. Dizer isto é ir de encontro às leis da ciência da Lógica. Então para existir gente rica é preciso que exista gente pobre. Mas, você pode perguntar: “Ora, não é justamente o capitalismo que está eliminando a pobreza de alguns países do mundo como os EUA, a Europa Ocidental e o Japão?” E eu responderei: “Preste mais atenção no mundo como um todo!” Antes de mais nada é preciso lembrar que ainda existem varias ocupações de pobres e miseráveis nestes países: faxineiro, lixeiro, encanador, pedreiro, etc; ainda não existem máquinas ou robôs capazes de fazer estes serviços. Ora, se estes empregos de baixo nível cabem aos mais pobres de uma sociedade, então estes países ricos possuem pessoas pobres que os realizam! Pessoas ricas e de classe média não se submeteriam à eles! Quem os realizam? Algo está errado com a nossa contabilidade. Em primeiro lugar, ainda existem pobres e miseráveis nos países ricos. Nos EUA, por exemplo, vemos mendigos morando nos esgotos. Em segundo lugar, os chamados empregos de baixo nível não costumam ser realizados por nativos dos países ricos e sim por imigrantes, muitas vezes ilegais, que se submetem a ganhar salários bem abaixo do preço de mercado. E em terceiro lugar, e esta é a parte mais importante, boa parte destes subempregos foram “terceirizados” e dados a países pobres do mundo contemporâneo. Por isso, encontramos bolas de couro de marca americana, fabricadas no Paquistão (provavelmente feitas por crianças paquistanesas). Não existem, ainda, robôs capazes de costurar bolas de couro! O que ocorre é que, enquanto existirem países pobres no mundo, isto permitirá que os países ricos, como EUA, Inglaterra, Japão, França e Alemanha, tenham uma economia forte, e eles continuarão a se orgulhar de seu mercado, sua educação e de sua qualidade de vida. Enquanto puderem usar a mão de obra barata dos países pobres, eles continuaram a enriquecer mais e mais. Quando não existir mais pobres no mundo (como prometem os adeptos do capitalismo), quem realizará o trabalho de pobre?
Mas dirão os nietzscheanos mais convictos “O que é que tem de mais explorar os mais fracos? Esta não é a lei da natureza?” Eu digo que a coisa não é bem assim: Na natureza não vemos “os mais fortes se impondo ou devorando os mais fracos”, isto é desconhecer a biologia! Na natureza, existem relações harmônicas entre diversos tipos de estruturas ecológicas: o animal que sobrevive não é o mais “forte” e sim “o mais adaptado ao meio ambiente”! Um leão é mais forte que um porco espinho, mas se colocados num mesmo ambiente o leão não conseguirá comer o porco espinho porque este está perfeitamente adaptado ao seu meio.
Além de tudo isto, os mais pobres devem ser protegidos e ajudados a se desenvolverem ao máximo. Afinal, é das classes mais pobres que vemos surgir muitos dos grandes gênios da humanidade. Não podemos mais permitir que um Niels Henrik Abel (1802-1829) ou um Srinavo Ramanujan (1887-1920) dois gênios matemáticos, morram de doenças relativas à pobreza. Reparem na idade prematura que eles morreram por causa da pobreza: isto é justo com estas pessoas? É justo com qualquer pessoa? Não!
Nietzsche que me perdoe, mas Jesus (sendo deus ou não, e tendo existido de fato ou não) é bem mais sábio que ele. Cristo enxergou o mundo em cores claras e brilhantes, enquanto Nietzsche viu o mundo em preto e branco.
Friedrich Nietzsche não costuma ser considerado um “monstro” ou uma pessoa ruim. Ele não é colocado na mesma prateleira que Adolf Hitler ou Josef Mengele. No entanto, o próprio Nietzsche se auto proclamava “o mais ímpio dos homens” ou como “O Anticristo”, ou seja, como o ser humano mais contrário aos ensinamentos de Cristo que já existiu. Mas, qual parte da doutrina de Cristo, Nietzsche queria mostrar que não concordava? Muito simples: Cristo pregava que todos os homens são iguais perante Deus e que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus”, já o filósofo alemão dizia que há seres humanos melhores que os outros. Jesus dizia que só Deus era superior a todos os seres humanos e que só Ele é digno de admiração. Nietzsche protestava afirmando que “este Deus está morto” e que a única coisa que merece admiração, é o grau máximo de um homem superior: o Super-homem.
Uma boa parte das pessoas do mundo dizem, sem muita convicção, que seguem os ensinamentos de Cristo mas, na realidade, quando colocamos as pessoas contra a parede, o que observamos é que elas são discípulas de Nietzsche, mesmo sem saber quem foi este filósofo e o que ele escreveu! Cada um dos seres humanos costuma se achar melhor que o resto da humanidade, e a chamada “humildade cristã” é completamente esquecida.
Vivemos em tempos difíceis! Nossa época é caracterizada pela adoção de uma ética nietzscheana, onde o comportamento do homem capitalista, competitivo e egoísta é incentivado ao máximo. O homem, dizem, deve ser forte e impiedoso, e “a piedade é para os fracos” completam! Você é admirado pelo número dede adversários que consegue derrotar: se você passa em um vestibular para medicina, então você é merecedor das maiores glórias do mundo, afinal são 100 candidatos por vagas passar neste vestibular significa derrotar 100 pessoas. No entanto, se você passa no vestibular para pedagogia, então você não merece grandes honras, afinal o curso tem apenas 5 candidatos por vaga! Não importa que um pedagogo seja tão importante quanto um médico; ser médico é mais glorioso. No mundo dos negócios vemos a mesma coisa: um empresário é mais ou menos admirado de acordo como número de concorrentes ele consegue “destruir” e empurrar para fora do mercado. Eis o retrato do nosso atual mundo nietzscheano!
Esta nova ética, tal como um deus asteca, exige “sacrifícios humanos” para continuar existindo, e os escolhidos para o sacrifício ao deus mercado são, justamente, os mais fracos, os mais desamparados, os menos preparados para esta vida capitalista: os mais pobres.
Riqueza e pobreza são (como bem diz Gilbert Ryle) “Conceitos Polares”, ou seja, um não existe sem o outro, um não faz sentido sem o outro. Por isso, dizer que pode existir uma comunidade onde todas as pessoas são ricas é um contra-senso. Da mesma forma que é contra-senso dizer que “em outros regimes políticos que não o capitalismo, todas as pessoas são pobres”. Dizer isto é ir de encontro às leis da ciência da Lógica. Então para existir gente rica é preciso que exista gente pobre. Mas, você pode perguntar: “Ora, não é justamente o capitalismo que está eliminando a pobreza de alguns países do mundo como os EUA, a Europa Ocidental e o Japão?” E eu responderei: “Preste mais atenção no mundo como um todo!” Antes de mais nada é preciso lembrar que ainda existem varias ocupações de pobres e miseráveis nestes países: faxineiro, lixeiro, encanador, pedreiro, etc; ainda não existem máquinas ou robôs capazes de fazer estes serviços. Ora, se estes empregos de baixo nível cabem aos mais pobres de uma sociedade, então estes países ricos possuem pessoas pobres que os realizam! Pessoas ricas e de classe média não se submeteriam à eles! Quem os realizam? Algo está errado com a nossa contabilidade. Em primeiro lugar, ainda existem pobres e miseráveis nos países ricos. Nos EUA, por exemplo, vemos mendigos morando nos esgotos. Em segundo lugar, os chamados empregos de baixo nível não costumam ser realizados por nativos dos países ricos e sim por imigrantes, muitas vezes ilegais, que se submetem a ganhar salários bem abaixo do preço de mercado. E em terceiro lugar, e esta é a parte mais importante, boa parte destes subempregos foram “terceirizados” e dados a países pobres do mundo contemporâneo. Por isso, encontramos bolas de couro de marca americana, fabricadas no Paquistão (provavelmente feitas por crianças paquistanesas). Não existem, ainda, robôs capazes de costurar bolas de couro! O que ocorre é que, enquanto existirem países pobres no mundo, isto permitirá que os países ricos, como EUA, Inglaterra, Japão, França e Alemanha, tenham uma economia forte, e eles continuarão a se orgulhar de seu mercado, sua educação e de sua qualidade de vida. Enquanto puderem usar a mão de obra barata dos países pobres, eles continuaram a enriquecer mais e mais. Quando não existir mais pobres no mundo (como prometem os adeptos do capitalismo), quem realizará o trabalho de pobre?
Mas dirão os nietzscheanos mais convictos “O que é que tem de mais explorar os mais fracos? Esta não é a lei da natureza?” Eu digo que a coisa não é bem assim: Na natureza não vemos “os mais fortes se impondo ou devorando os mais fracos”, isto é desconhecer a biologia! Na natureza, existem relações harmônicas entre diversos tipos de estruturas ecológicas: o animal que sobrevive não é o mais “forte” e sim “o mais adaptado ao meio ambiente”! Um leão é mais forte que um porco espinho, mas se colocados num mesmo ambiente o leão não conseguirá comer o porco espinho porque este está perfeitamente adaptado ao seu meio.
Além de tudo isto, os mais pobres devem ser protegidos e ajudados a se desenvolverem ao máximo. Afinal, é das classes mais pobres que vemos surgir muitos dos grandes gênios da humanidade. Não podemos mais permitir que um Niels Henrik Abel (1802-1829) ou um Srinavo Ramanujan (1887-1920) dois gênios matemáticos, morram de doenças relativas à pobreza. Reparem na idade prematura que eles morreram por causa da pobreza: isto é justo com estas pessoas? É justo com qualquer pessoa? Não!
Nietzsche que me perdoe, mas Jesus (sendo deus ou não, e tendo existido de fato ou não) é bem mais sábio que ele. Cristo enxergou o mundo em cores claras e brilhantes, enquanto Nietzsche viu o mundo em preto e branco.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
O liberalismo como excesso de ID, e o totalitarismo como excesso de SUPEREGO.
O liberalismo como excesso de ID, e o totalitarismo como excesso de SUPEREGO.
Vamos investigar neste pequeno ensaio como que conceitos retirados da psicanálise freudiana podem ser utilizados para melhor entendermos a estrutura de certos sistemas políticos e econômicos que são adotados mundo afora.
ID, EGO E SUPEREGO formam o conjunto de estruturas que correspondem à mente humana. São as partes da mesma. O ID é a parte primitiva da mente, é o responsável pelos desejos e impulsos emocionais. Pode ser resumido pela frase “Eu quero”, e é inconsciente. O EGO é o próprio “eu”. É a parte consciente da mente. É ele que conversa, escreve, pensa e dirige automóveis. Mesmo sendo consciente, é controlado pelo ID e pelo SUPEREGO que são inconscientes. É resumido pela frase “Eu sou”. O SUPEREGO é a parte da mente responsável pelo controle moral do indivíduo. É ele que controla, ou tenta controlar, os impulsos primitivos do ID dando ao EGO a falsa impressão de que ele, o EGO, é o responsável consciente e racional pelas ações do individuo. Pode ser resumido pela frase “Eu não devo”, e é, tal como o ID, inconsciente.
Dois exemplos de comportamento desviante de um individuo (neurose) ocorrem, justamente, quando temos um excesso de ID (fazendo com que o sujeito seja uma eterna criança que tudo quer e não tolera ser contrariada), ou um excesso de SUPEREGO (onde o sujeito é completamente recalcado e prisioneiro de uma masmorra construída por ele mesmo e feita com “tijolos morais”). Acontece que observamos as mesmas “neuroses” no campo da política e da economia. Basta associarmos corretamente as coisas: o liberalismo político e econômico, por exemplo, visa a liberdade total de cada individuo para ele fazer o que quiser ou, pelo menos, dentro de certos limites impostos pela sociedade. Este é um exemplo de excesso de ID. Já os diversos tipos de totalitarismo, tanto de direita quanto de esquerda, procuram controlar ao máximo possível os passos de cada individuo e mantê-los em “Rédeas curtas”. É um caso de excesso de SUPEREGO.
Seguindo o mesmo princípio, vemos que os defensores do capitalismo sofrem de excesso de ID, uma vez que no capitalismo, cada individuo é incentivado a buscar de forma absoluta o próprio prazer sem se preocupar com os outros. É o hedonismo total. É a criança que quer tudo e nunca está satisfeita com nada. Por sua vez o comunismo stalinista, sofre de excesso de SUPEREGO, já que cada individuo é obrigado a se preocupar demais com a vida alheia, se esquecendo da própria individualidade. Diante deste quadro, podemos falar que a solução está (como sempre esteve) em algum sistema “intermediário” entre estes dois extremos patológicos. É preciso lutar para que o EGO, a razão, passe a dominar os nossos passos neste importantíssimo campo das escolhas políticas e econômicas, se quisermos ter, verdadeiramente, um futuro.
Vamos investigar neste pequeno ensaio como que conceitos retirados da psicanálise freudiana podem ser utilizados para melhor entendermos a estrutura de certos sistemas políticos e econômicos que são adotados mundo afora.
ID, EGO E SUPEREGO formam o conjunto de estruturas que correspondem à mente humana. São as partes da mesma. O ID é a parte primitiva da mente, é o responsável pelos desejos e impulsos emocionais. Pode ser resumido pela frase “Eu quero”, e é inconsciente. O EGO é o próprio “eu”. É a parte consciente da mente. É ele que conversa, escreve, pensa e dirige automóveis. Mesmo sendo consciente, é controlado pelo ID e pelo SUPEREGO que são inconscientes. É resumido pela frase “Eu sou”. O SUPEREGO é a parte da mente responsável pelo controle moral do indivíduo. É ele que controla, ou tenta controlar, os impulsos primitivos do ID dando ao EGO a falsa impressão de que ele, o EGO, é o responsável consciente e racional pelas ações do individuo. Pode ser resumido pela frase “Eu não devo”, e é, tal como o ID, inconsciente.
Dois exemplos de comportamento desviante de um individuo (neurose) ocorrem, justamente, quando temos um excesso de ID (fazendo com que o sujeito seja uma eterna criança que tudo quer e não tolera ser contrariada), ou um excesso de SUPEREGO (onde o sujeito é completamente recalcado e prisioneiro de uma masmorra construída por ele mesmo e feita com “tijolos morais”). Acontece que observamos as mesmas “neuroses” no campo da política e da economia. Basta associarmos corretamente as coisas: o liberalismo político e econômico, por exemplo, visa a liberdade total de cada individuo para ele fazer o que quiser ou, pelo menos, dentro de certos limites impostos pela sociedade. Este é um exemplo de excesso de ID. Já os diversos tipos de totalitarismo, tanto de direita quanto de esquerda, procuram controlar ao máximo possível os passos de cada individuo e mantê-los em “Rédeas curtas”. É um caso de excesso de SUPEREGO.
Seguindo o mesmo princípio, vemos que os defensores do capitalismo sofrem de excesso de ID, uma vez que no capitalismo, cada individuo é incentivado a buscar de forma absoluta o próprio prazer sem se preocupar com os outros. É o hedonismo total. É a criança que quer tudo e nunca está satisfeita com nada. Por sua vez o comunismo stalinista, sofre de excesso de SUPEREGO, já que cada individuo é obrigado a se preocupar demais com a vida alheia, se esquecendo da própria individualidade. Diante deste quadro, podemos falar que a solução está (como sempre esteve) em algum sistema “intermediário” entre estes dois extremos patológicos. É preciso lutar para que o EGO, a razão, passe a dominar os nossos passos neste importantíssimo campo das escolhas políticas e econômicas, se quisermos ter, verdadeiramente, um futuro.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
...Para os patrões os empregados são como cães

Vamos falar de um assunto muito delicado: a relação patrão/empregado nos nossos dias atuais em nosso sistema capitalista. É fato que esta relação nunca foi harmoniosa, há um século e meio atrás os empregados costumavam trabalhar até quatorze horas diárias para ganhar apenas o suficiente para sobreviver! Hoje as condições de trabalho melhoraram mas, apenas graças aos sindicatos que foram criados nesta época com o objetivo de unir o proletariado contra a exploração dos mais necessitados, é preciso deixar claro que se dependesse da boa vontade dos patrões (donos dos meios de produção), nenhuma melhoria teria sido alcançada. É interessante (para não dizer revoltante) observar que, para os capitalistas, o patrão “é um sujeito muito bacana que dá emprego ao proletariado impedindo que este morra de fome”, mas é muito evidente que A COISA NÃO SE DÁ DESTA FORMA. Primeiro que a relação patrão/empregado é uma relação claramente dialética, ou seja, um não pode existir sem o outro. Tanto o patrão quanto o empregado possuem IGUAL importância na existência de qualquer empresa. Logo, os capitalistas NÃO ESTÃO FAZENDO NENHUM FAVOR aos empregados. Mas, o que eu quero demonstrar para vocês é que, ainda hoje, esta relação não é justa: os patrões ganham muito mais nas costas dos empregados do que o contrário. Vejam este trecho de um livro muito famoso:
“Sempre que participamos de uma associação simbiótica, há uma forte tendência para que o benefício se incline mais em nosso favor do que no do nosso sócio, mas não deixa de se individualizar esse tipo de relações, que se distingue das outras entre presa e perseguidor, porque pelo menos aqui não existe morte de outra espécie. Os nossos parceiros na simbiose são sem dúvida explorados, mas, em troca, alimentamo-los e cuidamos deles. É um tipo de simbiose desigual, porque dominamos a situação e os nossos sócios não têm outro remédio senão aceita-lo.
O mais antigo simbionte da nossa história é sem dúvida o cão. (...) Os cães eram especialmente habilidosos em arrebanhar as presas e conduzi-las durante as manobras de caça, podendo fazê-lo a grande velocidade. Tinham igualmente o olfato e o ouvido mais apurados. Se fosse possível explorar essas qualidades, em troca de uma participação na caça, far-se-ia um grande negócio. (...) Podemos então concluir que os principais animais simbióticos não tiveram outro remédio senão aceitar uma participação desvantajosa (grifo nosso) com a nossa engenhosíssima espécie. Ganharam sobretudo a vantagem de terem deixado de ser nossos inimigos. Aumentaram extraordinariamente de número. Tiveram mesmo grande êxito, em termos de população mundial. Mas trata-se de um êxito condicionado. Alcançaram-no à custa da sua liberdade evolutiva (grifo nosso). Perderam a própria independência genética e, apesar de serem alimentados e tratados, têm de se submeter aos nossos caprichos.”
MORRIS, Desmond. O macaco nu. Tradução de Hermano Neves. Cia Lythographica Ypiranga: São Paulo, 1975.
Pois bem, a “relação simbiótica” entre patrão e empregado se dá da mesma forma: PARECE que os dois lados estão tendo vantagens iguais, mas a verdade é que os capitalistas estão ganhando mais que os empregados nesta relação, tal como na relação homem/cão, o primeiro está sempre levando vantagem biológica sobre o segundo! Só existe uma diferença básica: os seres humanos não são dóceis e amigáveis como os cães. Os seres humanos reclamam quando se sentem ofendidos nos seus direitos, não ficam calados e abanando o rabinho para os seus donos (os patrões). Bem gostariam os patrões de encontrar este comportamento nos seus empregados mas, felizmente, existem organizações que combatem a exploração. No entanto, um problema ainda não foi resolvido: ainda existe bastante exploração patronal nos nossos dias. E ela vem em forma “mascarada”, sutil, como, por exemplo, não dar aumento para os seus empregados e sugerir que “tem muitas pessoas querendo a sua vaga aqui na empresa, se não estiver interessado em trabalhar pode ir embora”. Ou ainda, quando o empresário “pede delicadamente” aos empregados que “eles façam hora extra até às três da manhã” mas, pobre daquele que se recusar! Este pobre coitado já pode ficar com as “barbas de molho” que alguma vingança o patrão está planejando para ele, afinal ele detém todo o PODER de demitir o funcionário quando quiser, e este é amparado apenas pelas pobres leis trabalhistas (que muitos empresários querem acabar!). No fundo, o resultado é o mesmo: o trabalhador, com MEDO de perder o seu emprego, se submete a quase todas as arbitrariedades dos seus patrões e estes mal sofrem alguma pressão por parte dos nossos mecanismos legais.
Tudo que eu quero é acabar com esta lacuna que está impregnada na nossa sociedade capitalista atual, e para isto eu quero reestruturar o movimento operário para a criação de um novo sistema político-econômico baseado na defesa dos mais pobres e na proteção incondicional do meio ambiente.
Assinar:
Comentários (Atom)