É bastante comum entre os capitalistas liberais ou entre direitistas de toda a espécie dizer que o “capitalismo é o melhor sistema econômico porque dá liberdade à todas pessoas. Liberdade para ganhar dinheiro de forma que quiserem, a quantidade que quiserem e para fazer com este dinheiro o que bem entenderem: acumula-lo, gasta-lo ou doa-lo a outras pessoas.” Tudo isto é muito bonito na teoria, mas na prática a realidade é outra. No mundo real, no nosso mundo de recursos naturais finitos e submetido às leis da física (especialmente às leis da termodinâmica) ser rico significa, necessariamente, ser possuidor e dono de uma parte substancial destes recursos naturais finitos!
Tudo isto apresenta uma conclusão muito simples e direta:
O que os ecossocialistas querem é que todas as pessoas do mundo tenham um modo de vida verdadeiramente sustentável ecologicamente, e isto exclui tanto as classes ricas quanto à classe média de padrão norte-americano.
Isto significa que queremos todas as pessoas do mundo vivendo na pobreza? É evidente que não! Isto é uma falácia pregada pelos liberais e direitistas que gastam boa parte do seu tempo ocioso para tentar desmoralizar a esquerda política com mentiras. Ora, riqueza e pobreza são conceitos polares e dialéticos . Um conceito não existe sem o outro. Logo, não podemos ter nem “todas as pessoas do mundo como pobres”, nem “todas as pessoas do mundo como ricas” (outra falácia pregada por liberais e direitistas, principalmente nos EUA pouco antes da Quebra da Bolsa de Valores em 1929. Um exemplo é o artigo escrito por John J. Raskob ao Ladies Home Jornal, entitulado “Todos devem ser ricos”. HELLBRONER, Robert. A História do Pensamento Econômico. Nova Cultural: São Paulo, 1996. pág: 232). Ter “todo mundo rico” ou “todo mundo pobre” é, em termos lógicos, impossível! No entanto, em termos de ciência física, ter “todos os homens ricos” consegue ser ainda menos possível que “todos os homens pobres”. Como podemos saber isto? É o que você pode perguntar. Não é fácil explicar, você precisa ter conhecimento de física para entender o argumento, mas vamos tentar fazer alguma coisa. Em primeiro lugar é preciso reconhecer e aceitar que a ciência da física é muito mais precisa e confiável que qualquer outra ciência, principalmente as ciências humanas, que se preocupam em estudar as diversas culturas e ideologias que proliferam entre os seres humanos. Um resultado de uma experiência da física é muito mais confiável que uma investigação do funcionamento de uma ideologia e isto por uma razão bastante simples: o objeto de estudo das ciências humanas é muito mais complexo que o objeto de estudo da ciência física, o homem. Mas, isto só reforça a nossa tese inicial, de que devemos dar ouvidos primeiro aos físicos e só depois prestarmos atenção naquilo que os estudiosos dos seres humanos te a dizer. E mais um detalhe importante: a ciência física deve servir de base e fundamento para todos os outros estudiosos de quaisquer áreas mas, principalmente, da área de ciências humanas. Assim quando um cientista ou filósofo estiver dissertando sobre qualquer assunto ligado à culturas humanas e ideológicas, devemos nos perguntar: “O que este senhor está dizendo é o contrário ou bate de frente contra alguma lei física?” Se a resposta for “sim”, então tudo o que estes profissionais das ciências humanas e da filosofia estão dizendo é distituído de significado.
Assim, aquilo que liberais e direitistas afirmam sobre a possibilidade de que todas as pessoas do mundo podem ter e manter um padrão de vida estilo “classe média americana” é, simplesmente, falso! Isto porque em suas cabeças cientificamente analfabetas, nem sequer passa a idéia que isto ofende as quatro leis da termodinâmica, em especial a segunda lei que diz (segundo a formulação dada de forma precisa por Rudolf Clausius) que: “A medida da entropia em um sistema qualquer, tende à um valor máximo”. O que isto significa? Primeiro tente imaginar uma caixa de areia. Esta caixa não deve ser uniforme, ela deve formar “montanhas” e “vales” e ter até um “castelo” construído por uma criança. Agora procure imaginar que você está dando marteladas nesta caixa feita com algum material resistente como madeira ou aço. O que acontece com a areia da caixa? As “montanhas” começam a diminuir de tamanho, o “castelo” começa a ruir e os vales vão lentamente sendo cobertos pela areia das “montanhas” até que tudo esteja nivelado e, neste momento, você percebe que continuar a bater na caixa é inútil pois nada de novo acontece: a areia continuará nivelada. Pois bem é isto o que está acontecendo em todo o Universo neste exato momento: todos os planetas, estrelas, cometas e buracos negros caminham inevitavelmente para a chamada “morte térmica” onde toda a matéria, energia e informação vão se diluindo inevitavelmente e é exatamente isto o que mede a entropia (o grau de desordem de um sistema). Diante deste quadro físico o que podem fazer os homens? Nada, se eles pensam em diminuir a entropia e, tudo se eles pretendem aumentá-la! E é exatamente isto o que o seres humanos fazem hoje com o planeta Terra: eles aceleram o aumento de entropia no planeta com a sua exploração de recursos naturais finitos e escassos. Podemos pegar vários exemplos. O minério de ferro, por exemplo, é um recurso natural escasso. Pesquisas geológicas mostram que todo o minério de ferro existente hoje na crosta terrestre é produto de uma reação química muito simples: há exatamente 2,2 bilhões de anos atrás os oceanos primitivos da Terra tinham uma grande quantidade do íon Fe²⁺ diluído em suas águas o que tornava a coloração da água esverdeada. O que ocorreu foi que estes íons se ligavam à átomos de oxigênio ou enxofre formando os sólidos, óxido de ferro e sulfato de ferro que foram depositando-se, lentamente, no fundo dos oceanos, formando uma fina camada deste material que viria a ser o nosso minério de ferro 2,2 bilhões de anos depois. Ou seja, todo o nosso minério de ferro encontrado e explorado irracionalmente nos nossos dias é produto de uma reação química que ocorreu uma única vez para nunca mais acontecer, nos antigos oceanos da Terra! Por que, então, desmanchamos montanhas e usamos este minério de ferro finito e não-renovável para construir mais e mais automóveis e estruturas de edifícios? E mais, incentivamos as pessoas com propagandas a terem dois, três, ou mais automóveis (típico de uma família classe média americana) e ainda, que devemos sempre continuar comprando automóveis novos e formar com os velhos imensos cemitérios de carros que poderiam muito bem ser consertados e usados por décadas a fio. Que espécie de loucura irresponsável é esta que nos faz usar um recurso natural finito, escasso e não renovável (a não ser pela reciclagem) sem pensar no futuro? Pois é isto o que fazem liberais e direitistas mundo afora, não apenas com o minério de ferro, mas também com os finitos e cada vez mais escassos: solo fértil, água potável e petróleo. Eles pensam apenas no “hoje” e se esquecem do “amanhã”. São como animais irracionais que obedecem ao impulso primitivo hedonista de possuir mais e mais, em consumir mais e mais, e em enriquecer mais e mais. É o prazer a todo custo, mesmo que o preço seja a extinção da própria espécie humana.
Eis, então, o motivo que faz qualquer partidário dos movimentos ecológicos ser contra a existência de ricos e mesmo de representantes de uma classe média no estilo norte-americano. O fato é que se todas as pessoas do mundo tivessem o padrão de vida dos norte-americanos, os recursos naturais finitos da Terra já teriam acabado.
Ser rico é o ideal de vida de liberais e direitistas, esta é a ignóbil razão da existência humana para eles. Nós, ao contrário, dizemos que o homem está na Terra para honrá-la com a nossa inteligência e não desonrá-la com a nossa estupidez. Dizemos que os mais abastados representam desperdício de recursos naturais e mais nada. Logo, não somos favoráveis à pobreza geral, mas a uma existência racional e verdadeiramente sustentável.
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