“Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.” MATEUS 19:19; assim diz a bíblia em seu evangelho, no entanto, eu pergunto, eu pergunto: quantas pessoas, sendo cristãs ou não, cumprem este novo mandamento de Cristo? Uma ínfima minoria, com certeza. As pessoas não costumam amar ao seu próximo, a menos que seja um parente muito querido e, mesmo assim, isto é algo cada vez mais raro de se ver em nossos dias. Não é incomum encontrar pais não amando os seus filhos e filhos não amando os seus pais. Penso, na verdade, que é demais pedir à alguém que AME de fato um desconhecido em um momento histórico em que as pessoas mal estão amando os seus parentes mais próximos.
No entanto, a humanidade chegou aonde chegou, por meio de dois sentimentos claramente socializantes e civilizadores: o amor e a compaixão. Foi pelo amor que pais criaram os seus filhos e isto permitiu que se criasse a “família” que é o eixo principal de qualquer sociedade. E foi pela compaixão, ou seja, pela capacidade de uma pessoa sentir “pena” pelo seu semelhante que sofre, mesmo que seja um desconhecido. Foi assim que a sociedade se estruturou. É a compaixão e não o amor que devemos pedir para um estranho. É através do sentimento de compaixão (e o seu subproduto: o altruísmo) que um estranho faz algo de positivo por outra pessoa. O amor universal entre os homens é algo muito bonito de se sonhar, mas não é realizável! O amor tem o seu papel na construção social, ele é o sentimento mais importante: “Agora, pois, permanecem a fé a esperança e o amor, estes três, mas o maior deles é o amor.” 1 CORINTIOS 13:13. Sem o amor não haveria a semente inicial que deu origem à sociedade, mas é a compaixão que é a “cola” que mantém a sociedade unida.
É verdade que o altruísmo pode conter um fundo plenamente egoísta. Basta pensarmos em um caso em que uma pessoa ajuda crianças carentes com donativos. Há duas possibilidades: ou esta pessoa ajuda as crianças com o objetivo de evitar com que elas se transformem em futuros marginais (o que poderia colocar a vida do nosso filantropo em perigo constante) neste caso temos um caso de “egoísmo esclarecido”, onde a pessoa ajuda a outra para evitar um mal pessoal futuro e não porque é “boazinha”. Outra opção é a pessoa ajudar o seu próximo por “pena”: o sujeito se compadece pelo sofrimento das crianças e as ajuda de forma “completamente desinteressada”. Será? Podemos imaginar, também, que o sujeito angustiado pelo sentimento de pena que sente, busca o alívio deste sentimento deste sentimento negativo ajudando a quem precisa. Mais uma vez temos um tipo de egoísmo só que menos “esclarecido”. Fica a pergunta: “Como surgiu o sentimento de ‘pena’ no ser humano, evolutivamente falando?” “Para que ele serve?” Talvez seja um sentimento surgido com o objetivo de facilitar à socialização entre os humanos. Talvez seja outra coisa. Quem pode saber? O que podemos dizer com alguma certeza é que os sentimentos de amor (na construção do alicerce da sociedade: a família) e a compaixão (no estabelecimento da consistência e da tenacidade da sociedade pela aproximação que faz de pessoas completamente desconhecidas) não devem nunca ser desvalorizados por nenhum tipo de ideologia, política ou econômica, sob pena de ver a estrutura da sociedade se desmoronar.
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