Nietzsche contra Jesus Cristo, ou por que devemos proteger os mais pobres.
Friedrich Nietzsche não costuma ser considerado um “monstro” ou uma pessoa ruim. Ele não é colocado na mesma prateleira que Adolf Hitler ou Josef Mengele. No entanto, o próprio Nietzsche se auto proclamava “o mais ímpio dos homens” ou como “O Anticristo”, ou seja, como o ser humano mais contrário aos ensinamentos de Cristo que já existiu. Mas, qual parte da doutrina de Cristo, Nietzsche queria mostrar que não concordava? Muito simples: Cristo pregava que todos os homens são iguais perante Deus e que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus”, já o filósofo alemão dizia que há seres humanos melhores que os outros. Jesus dizia que só Deus era superior a todos os seres humanos e que só Ele é digno de admiração. Nietzsche protestava afirmando que “este Deus está morto” e que a única coisa que merece admiração, é o grau máximo de um homem superior: o Super-homem.
Uma boa parte das pessoas do mundo dizem, sem muita convicção, que seguem os ensinamentos de Cristo mas, na realidade, quando colocamos as pessoas contra a parede, o que observamos é que elas são discípulas de Nietzsche, mesmo sem saber quem foi este filósofo e o que ele escreveu! Cada um dos seres humanos costuma se achar melhor que o resto da humanidade, e a chamada “humildade cristã” é completamente esquecida.
Vivemos em tempos difíceis! Nossa época é caracterizada pela adoção de uma ética nietzscheana, onde o comportamento do homem capitalista, competitivo e egoísta é incentivado ao máximo. O homem, dizem, deve ser forte e impiedoso, e “a piedade é para os fracos” completam! Você é admirado pelo número dede adversários que consegue derrotar: se você passa em um vestibular para medicina, então você é merecedor das maiores glórias do mundo, afinal são 100 candidatos por vagas passar neste vestibular significa derrotar 100 pessoas. No entanto, se você passa no vestibular para pedagogia, então você não merece grandes honras, afinal o curso tem apenas 5 candidatos por vaga! Não importa que um pedagogo seja tão importante quanto um médico; ser médico é mais glorioso. No mundo dos negócios vemos a mesma coisa: um empresário é mais ou menos admirado de acordo como número de concorrentes ele consegue “destruir” e empurrar para fora do mercado. Eis o retrato do nosso atual mundo nietzscheano!
Esta nova ética, tal como um deus asteca, exige “sacrifícios humanos” para continuar existindo, e os escolhidos para o sacrifício ao deus mercado são, justamente, os mais fracos, os mais desamparados, os menos preparados para esta vida capitalista: os mais pobres.
Riqueza e pobreza são (como bem diz Gilbert Ryle) “Conceitos Polares”, ou seja, um não existe sem o outro, um não faz sentido sem o outro. Por isso, dizer que pode existir uma comunidade onde todas as pessoas são ricas é um contra-senso. Da mesma forma que é contra-senso dizer que “em outros regimes políticos que não o capitalismo, todas as pessoas são pobres”. Dizer isto é ir de encontro às leis da ciência da Lógica. Então para existir gente rica é preciso que exista gente pobre. Mas, você pode perguntar: “Ora, não é justamente o capitalismo que está eliminando a pobreza de alguns países do mundo como os EUA, a Europa Ocidental e o Japão?” E eu responderei: “Preste mais atenção no mundo como um todo!” Antes de mais nada é preciso lembrar que ainda existem varias ocupações de pobres e miseráveis nestes países: faxineiro, lixeiro, encanador, pedreiro, etc; ainda não existem máquinas ou robôs capazes de fazer estes serviços. Ora, se estes empregos de baixo nível cabem aos mais pobres de uma sociedade, então estes países ricos possuem pessoas pobres que os realizam! Pessoas ricas e de classe média não se submeteriam à eles! Quem os realizam? Algo está errado com a nossa contabilidade. Em primeiro lugar, ainda existem pobres e miseráveis nos países ricos. Nos EUA, por exemplo, vemos mendigos morando nos esgotos. Em segundo lugar, os chamados empregos de baixo nível não costumam ser realizados por nativos dos países ricos e sim por imigrantes, muitas vezes ilegais, que se submetem a ganhar salários bem abaixo do preço de mercado. E em terceiro lugar, e esta é a parte mais importante, boa parte destes subempregos foram “terceirizados” e dados a países pobres do mundo contemporâneo. Por isso, encontramos bolas de couro de marca americana, fabricadas no Paquistão (provavelmente feitas por crianças paquistanesas). Não existem, ainda, robôs capazes de costurar bolas de couro! O que ocorre é que, enquanto existirem países pobres no mundo, isto permitirá que os países ricos, como EUA, Inglaterra, Japão, França e Alemanha, tenham uma economia forte, e eles continuarão a se orgulhar de seu mercado, sua educação e de sua qualidade de vida. Enquanto puderem usar a mão de obra barata dos países pobres, eles continuaram a enriquecer mais e mais. Quando não existir mais pobres no mundo (como prometem os adeptos do capitalismo), quem realizará o trabalho de pobre?
Mas dirão os nietzscheanos mais convictos “O que é que tem de mais explorar os mais fracos? Esta não é a lei da natureza?” Eu digo que a coisa não é bem assim: Na natureza não vemos “os mais fortes se impondo ou devorando os mais fracos”, isto é desconhecer a biologia! Na natureza, existem relações harmônicas entre diversos tipos de estruturas ecológicas: o animal que sobrevive não é o mais “forte” e sim “o mais adaptado ao meio ambiente”! Um leão é mais forte que um porco espinho, mas se colocados num mesmo ambiente o leão não conseguirá comer o porco espinho porque este está perfeitamente adaptado ao seu meio.
Além de tudo isto, os mais pobres devem ser protegidos e ajudados a se desenvolverem ao máximo. Afinal, é das classes mais pobres que vemos surgir muitos dos grandes gênios da humanidade. Não podemos mais permitir que um Niels Henrik Abel (1802-1829) ou um Srinavo Ramanujan (1887-1920) dois gênios matemáticos, morram de doenças relativas à pobreza. Reparem na idade prematura que eles morreram por causa da pobreza: isto é justo com estas pessoas? É justo com qualquer pessoa? Não!
Nietzsche que me perdoe, mas Jesus (sendo deus ou não, e tendo existido de fato ou não) é bem mais sábio que ele. Cristo enxergou o mundo em cores claras e brilhantes, enquanto Nietzsche viu o mundo em preto e branco.
sábado, 25 de abril de 2009
segunda-feira, 20 de abril de 2009
O liberalismo como excesso de ID, e o totalitarismo como excesso de SUPEREGO.
O liberalismo como excesso de ID, e o totalitarismo como excesso de SUPEREGO.
Vamos investigar neste pequeno ensaio como que conceitos retirados da psicanálise freudiana podem ser utilizados para melhor entendermos a estrutura de certos sistemas políticos e econômicos que são adotados mundo afora.
ID, EGO E SUPEREGO formam o conjunto de estruturas que correspondem à mente humana. São as partes da mesma. O ID é a parte primitiva da mente, é o responsável pelos desejos e impulsos emocionais. Pode ser resumido pela frase “Eu quero”, e é inconsciente. O EGO é o próprio “eu”. É a parte consciente da mente. É ele que conversa, escreve, pensa e dirige automóveis. Mesmo sendo consciente, é controlado pelo ID e pelo SUPEREGO que são inconscientes. É resumido pela frase “Eu sou”. O SUPEREGO é a parte da mente responsável pelo controle moral do indivíduo. É ele que controla, ou tenta controlar, os impulsos primitivos do ID dando ao EGO a falsa impressão de que ele, o EGO, é o responsável consciente e racional pelas ações do individuo. Pode ser resumido pela frase “Eu não devo”, e é, tal como o ID, inconsciente.
Dois exemplos de comportamento desviante de um individuo (neurose) ocorrem, justamente, quando temos um excesso de ID (fazendo com que o sujeito seja uma eterna criança que tudo quer e não tolera ser contrariada), ou um excesso de SUPEREGO (onde o sujeito é completamente recalcado e prisioneiro de uma masmorra construída por ele mesmo e feita com “tijolos morais”). Acontece que observamos as mesmas “neuroses” no campo da política e da economia. Basta associarmos corretamente as coisas: o liberalismo político e econômico, por exemplo, visa a liberdade total de cada individuo para ele fazer o que quiser ou, pelo menos, dentro de certos limites impostos pela sociedade. Este é um exemplo de excesso de ID. Já os diversos tipos de totalitarismo, tanto de direita quanto de esquerda, procuram controlar ao máximo possível os passos de cada individuo e mantê-los em “Rédeas curtas”. É um caso de excesso de SUPEREGO.
Seguindo o mesmo princípio, vemos que os defensores do capitalismo sofrem de excesso de ID, uma vez que no capitalismo, cada individuo é incentivado a buscar de forma absoluta o próprio prazer sem se preocupar com os outros. É o hedonismo total. É a criança que quer tudo e nunca está satisfeita com nada. Por sua vez o comunismo stalinista, sofre de excesso de SUPEREGO, já que cada individuo é obrigado a se preocupar demais com a vida alheia, se esquecendo da própria individualidade. Diante deste quadro, podemos falar que a solução está (como sempre esteve) em algum sistema “intermediário” entre estes dois extremos patológicos. É preciso lutar para que o EGO, a razão, passe a dominar os nossos passos neste importantíssimo campo das escolhas políticas e econômicas, se quisermos ter, verdadeiramente, um futuro.
Vamos investigar neste pequeno ensaio como que conceitos retirados da psicanálise freudiana podem ser utilizados para melhor entendermos a estrutura de certos sistemas políticos e econômicos que são adotados mundo afora.
ID, EGO E SUPEREGO formam o conjunto de estruturas que correspondem à mente humana. São as partes da mesma. O ID é a parte primitiva da mente, é o responsável pelos desejos e impulsos emocionais. Pode ser resumido pela frase “Eu quero”, e é inconsciente. O EGO é o próprio “eu”. É a parte consciente da mente. É ele que conversa, escreve, pensa e dirige automóveis. Mesmo sendo consciente, é controlado pelo ID e pelo SUPEREGO que são inconscientes. É resumido pela frase “Eu sou”. O SUPEREGO é a parte da mente responsável pelo controle moral do indivíduo. É ele que controla, ou tenta controlar, os impulsos primitivos do ID dando ao EGO a falsa impressão de que ele, o EGO, é o responsável consciente e racional pelas ações do individuo. Pode ser resumido pela frase “Eu não devo”, e é, tal como o ID, inconsciente.
Dois exemplos de comportamento desviante de um individuo (neurose) ocorrem, justamente, quando temos um excesso de ID (fazendo com que o sujeito seja uma eterna criança que tudo quer e não tolera ser contrariada), ou um excesso de SUPEREGO (onde o sujeito é completamente recalcado e prisioneiro de uma masmorra construída por ele mesmo e feita com “tijolos morais”). Acontece que observamos as mesmas “neuroses” no campo da política e da economia. Basta associarmos corretamente as coisas: o liberalismo político e econômico, por exemplo, visa a liberdade total de cada individuo para ele fazer o que quiser ou, pelo menos, dentro de certos limites impostos pela sociedade. Este é um exemplo de excesso de ID. Já os diversos tipos de totalitarismo, tanto de direita quanto de esquerda, procuram controlar ao máximo possível os passos de cada individuo e mantê-los em “Rédeas curtas”. É um caso de excesso de SUPEREGO.
Seguindo o mesmo princípio, vemos que os defensores do capitalismo sofrem de excesso de ID, uma vez que no capitalismo, cada individuo é incentivado a buscar de forma absoluta o próprio prazer sem se preocupar com os outros. É o hedonismo total. É a criança que quer tudo e nunca está satisfeita com nada. Por sua vez o comunismo stalinista, sofre de excesso de SUPEREGO, já que cada individuo é obrigado a se preocupar demais com a vida alheia, se esquecendo da própria individualidade. Diante deste quadro, podemos falar que a solução está (como sempre esteve) em algum sistema “intermediário” entre estes dois extremos patológicos. É preciso lutar para que o EGO, a razão, passe a dominar os nossos passos neste importantíssimo campo das escolhas políticas e econômicas, se quisermos ter, verdadeiramente, um futuro.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
...Para os patrões os empregados são como cães

Vamos falar de um assunto muito delicado: a relação patrão/empregado nos nossos dias atuais em nosso sistema capitalista. É fato que esta relação nunca foi harmoniosa, há um século e meio atrás os empregados costumavam trabalhar até quatorze horas diárias para ganhar apenas o suficiente para sobreviver! Hoje as condições de trabalho melhoraram mas, apenas graças aos sindicatos que foram criados nesta época com o objetivo de unir o proletariado contra a exploração dos mais necessitados, é preciso deixar claro que se dependesse da boa vontade dos patrões (donos dos meios de produção), nenhuma melhoria teria sido alcançada. É interessante (para não dizer revoltante) observar que, para os capitalistas, o patrão “é um sujeito muito bacana que dá emprego ao proletariado impedindo que este morra de fome”, mas é muito evidente que A COISA NÃO SE DÁ DESTA FORMA. Primeiro que a relação patrão/empregado é uma relação claramente dialética, ou seja, um não pode existir sem o outro. Tanto o patrão quanto o empregado possuem IGUAL importância na existência de qualquer empresa. Logo, os capitalistas NÃO ESTÃO FAZENDO NENHUM FAVOR aos empregados. Mas, o que eu quero demonstrar para vocês é que, ainda hoje, esta relação não é justa: os patrões ganham muito mais nas costas dos empregados do que o contrário. Vejam este trecho de um livro muito famoso:
“Sempre que participamos de uma associação simbiótica, há uma forte tendência para que o benefício se incline mais em nosso favor do que no do nosso sócio, mas não deixa de se individualizar esse tipo de relações, que se distingue das outras entre presa e perseguidor, porque pelo menos aqui não existe morte de outra espécie. Os nossos parceiros na simbiose são sem dúvida explorados, mas, em troca, alimentamo-los e cuidamos deles. É um tipo de simbiose desigual, porque dominamos a situação e os nossos sócios não têm outro remédio senão aceita-lo.
O mais antigo simbionte da nossa história é sem dúvida o cão. (...) Os cães eram especialmente habilidosos em arrebanhar as presas e conduzi-las durante as manobras de caça, podendo fazê-lo a grande velocidade. Tinham igualmente o olfato e o ouvido mais apurados. Se fosse possível explorar essas qualidades, em troca de uma participação na caça, far-se-ia um grande negócio. (...) Podemos então concluir que os principais animais simbióticos não tiveram outro remédio senão aceitar uma participação desvantajosa (grifo nosso) com a nossa engenhosíssima espécie. Ganharam sobretudo a vantagem de terem deixado de ser nossos inimigos. Aumentaram extraordinariamente de número. Tiveram mesmo grande êxito, em termos de população mundial. Mas trata-se de um êxito condicionado. Alcançaram-no à custa da sua liberdade evolutiva (grifo nosso). Perderam a própria independência genética e, apesar de serem alimentados e tratados, têm de se submeter aos nossos caprichos.”
MORRIS, Desmond. O macaco nu. Tradução de Hermano Neves. Cia Lythographica Ypiranga: São Paulo, 1975.
Pois bem, a “relação simbiótica” entre patrão e empregado se dá da mesma forma: PARECE que os dois lados estão tendo vantagens iguais, mas a verdade é que os capitalistas estão ganhando mais que os empregados nesta relação, tal como na relação homem/cão, o primeiro está sempre levando vantagem biológica sobre o segundo! Só existe uma diferença básica: os seres humanos não são dóceis e amigáveis como os cães. Os seres humanos reclamam quando se sentem ofendidos nos seus direitos, não ficam calados e abanando o rabinho para os seus donos (os patrões). Bem gostariam os patrões de encontrar este comportamento nos seus empregados mas, felizmente, existem organizações que combatem a exploração. No entanto, um problema ainda não foi resolvido: ainda existe bastante exploração patronal nos nossos dias. E ela vem em forma “mascarada”, sutil, como, por exemplo, não dar aumento para os seus empregados e sugerir que “tem muitas pessoas querendo a sua vaga aqui na empresa, se não estiver interessado em trabalhar pode ir embora”. Ou ainda, quando o empresário “pede delicadamente” aos empregados que “eles façam hora extra até às três da manhã” mas, pobre daquele que se recusar! Este pobre coitado já pode ficar com as “barbas de molho” que alguma vingança o patrão está planejando para ele, afinal ele detém todo o PODER de demitir o funcionário quando quiser, e este é amparado apenas pelas pobres leis trabalhistas (que muitos empresários querem acabar!). No fundo, o resultado é o mesmo: o trabalhador, com MEDO de perder o seu emprego, se submete a quase todas as arbitrariedades dos seus patrões e estes mal sofrem alguma pressão por parte dos nossos mecanismos legais.
Tudo que eu quero é acabar com esta lacuna que está impregnada na nossa sociedade capitalista atual, e para isto eu quero reestruturar o movimento operário para a criação de um novo sistema político-econômico baseado na defesa dos mais pobres e na proteção incondicional do meio ambiente.
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