quarta-feira, 15 de abril de 2009

...Para os patrões os empregados são como cães




Vamos falar de um assunto muito delicado: a relação patrão/empregado nos nossos dias atuais em nosso sistema capitalista. É fato que esta relação nunca foi harmoniosa, há um século e meio atrás os empregados costumavam trabalhar até quatorze horas diárias para ganhar apenas o suficiente para sobreviver! Hoje as condições de trabalho melhoraram mas, apenas graças aos sindicatos que foram criados nesta época com o objetivo de unir o proletariado contra a exploração dos mais necessitados, é preciso deixar claro que se dependesse da boa vontade dos patrões (donos dos meios de produção), nenhuma melhoria teria sido alcançada. É interessante (para não dizer revoltante) observar que, para os capitalistas, o patrão “é um sujeito muito bacana que dá emprego ao proletariado impedindo que este morra de fome”, mas é muito evidente que A COISA NÃO SE DÁ DESTA FORMA. Primeiro que a relação patrão/empregado é uma relação claramente dialética, ou seja, um não pode existir sem o outro. Tanto o patrão quanto o empregado possuem IGUAL importância na existência de qualquer empresa. Logo, os capitalistas NÃO ESTÃO FAZENDO NENHUM FAVOR aos empregados. Mas, o que eu quero demonstrar para vocês é que, ainda hoje, esta relação não é justa: os patrões ganham muito mais nas costas dos empregados do que o contrário. Vejam este trecho de um livro muito famoso:






“Sempre que participamos de uma associação simbiótica, há uma forte tendência para que o benefício se incline mais em nosso favor do que no do nosso sócio, mas não deixa de se individualizar esse tipo de relações, que se distingue das outras entre presa e perseguidor, porque pelo menos aqui não existe morte de outra espécie. Os nossos parceiros na simbiose são sem dúvida explorados, mas, em troca, alimentamo-los e cuidamos deles. É um tipo de simbiose desigual, porque dominamos a situação e os nossos sócios não têm outro remédio senão aceita-lo.






O mais antigo simbionte da nossa história é sem dúvida o cão. (...) Os cães eram especialmente habilidosos em arrebanhar as presas e conduzi-las durante as manobras de caça, podendo fazê-lo a grande velocidade. Tinham igualmente o olfato e o ouvido mais apurados. Se fosse possível explorar essas qualidades, em troca de uma participação na caça, far-se-ia um grande negócio. (...) Podemos então concluir que os principais animais simbióticos não tiveram outro remédio senão aceitar uma participação desvantajosa (grifo nosso) com a nossa engenhosíssima espécie. Ganharam sobretudo a vantagem de terem deixado de ser nossos inimigos. Aumentaram extraordinariamente de número. Tiveram mesmo grande êxito, em termos de população mundial. Mas trata-se de um êxito condicionado. Alcançaram-no à custa da sua liberdade evolutiva (grifo nosso). Perderam a própria independência genética e, apesar de serem alimentados e tratados, têm de se submeter aos nossos caprichos.”






MORRIS, Desmond. O macaco nu. Tradução de Hermano Neves. Cia Lythographica Ypiranga: São Paulo, 1975.









Pois bem, a “relação simbiótica” entre patrão e empregado se dá da mesma forma: PARECE que os dois lados estão tendo vantagens iguais, mas a verdade é que os capitalistas estão ganhando mais que os empregados nesta relação, tal como na relação homem/cão, o primeiro está sempre levando vantagem biológica sobre o segundo! Só existe uma diferença básica: os seres humanos não são dóceis e amigáveis como os cães. Os seres humanos reclamam quando se sentem ofendidos nos seus direitos, não ficam calados e abanando o rabinho para os seus donos (os patrões). Bem gostariam os patrões de encontrar este comportamento nos seus empregados mas, felizmente, existem organizações que combatem a exploração. No entanto, um problema ainda não foi resolvido: ainda existe bastante exploração patronal nos nossos dias. E ela vem em forma “mascarada”, sutil, como, por exemplo, não dar aumento para os seus empregados e sugerir que “tem muitas pessoas querendo a sua vaga aqui na empresa, se não estiver interessado em trabalhar pode ir embora”. Ou ainda, quando o empresário “pede delicadamente” aos empregados que “eles façam hora extra até às três da manhã” mas, pobre daquele que se recusar! Este pobre coitado já pode ficar com as “barbas de molho” que alguma vingança o patrão está planejando para ele, afinal ele detém todo o PODER de demitir o funcionário quando quiser, e este é amparado apenas pelas pobres leis trabalhistas (que muitos empresários querem acabar!). No fundo, o resultado é o mesmo: o trabalhador, com MEDO de perder o seu emprego, se submete a quase todas as arbitrariedades dos seus patrões e estes mal sofrem alguma pressão por parte dos nossos mecanismos legais.






Tudo que eu quero é acabar com esta lacuna que está impregnada na nossa sociedade capitalista atual, e para isto eu quero reestruturar o movimento operário para a criação de um novo sistema político-econômico baseado na defesa dos mais pobres e na proteção incondicional do meio ambiente.

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